22 de Janeiro de 1911 - As mulheres nas Academias
A propósito da polémica instalada em França acerca da admissão – ou não – de Madame Curie na Academia Francesa, o jornal O Século entrevista alguns sócios da Academia de Ciências de Lisboa: Henrique Lopes de Mendonça afirma, “com um sorriso de bonomia a brincar-lhe sob o seu farto bigode grisalho: Mas, segundo a minha opinião, não há motivos para não serem conferidos graus académicos a senhoras. Tencionava, mesmo, propor, ma próxima sessão da Academia das Ciências, duas senhoras de grande cotação no nosso meio literário. Refiro-me a D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos e D. Amália Vaz de Carvalho (…)”.
Pina Vidal, membro da Academia na secção de física “não concorda com a oposição feita a madame Curie. Uma mulher que, como a célebre professora da Sorbonne, consegue triunfar no mundo intelectual, a despeito de todos os embargos mesquinhos e vis que lhe assaltam o caminho, tem (…) mais merecimento que um homem. Quando se apresentar uma candidatura feminina na Academia, acolhê-la-á com grande prazer”.
Marrecas Ferreira, da secção de matemática: “A mulher que se nobilita no campo da ciência, das letras ou da arte, encontra em mim um grande admirador. Não é somente nos seus trabalhos que eu embeveço o meu espírito; é, antes de tudo e sobretudo, no meio agreste que lhe foi preciso transpor para reagir contra uma atmosfera de hostilidade (…). A França, debatendo a candidatura de Madame Curie, demonstra a evidência que está bem longe de ser socialmente uma República”.
A propósito da polémica instalada em França acerca da admissão – ou não – de Madame Curie na Academia Francesa, o jornal O Século entrevista alguns sócios da Academia de Ciências de Lisboa: Henrique Lopes de Mendonça afirma, “com um sorriso de bonomia a brincar-lhe sob o seu farto bigode grisalho: Mas, segundo a minha opinião, não há motivos para não serem conferidos graus académicos a senhoras. Tencionava, mesmo, propor, ma próxima sessão da Academia das Ciências, duas senhoras de grande cotação no nosso meio literário. Refiro-me a D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos e D. Amália Vaz de Carvalho (…)”.
Pina Vidal, membro da Academia na secção de física “não concorda com a oposição feita a madame Curie. Uma mulher que, como a célebre professora da Sorbonne, consegue triunfar no mundo intelectual, a despeito de todos os embargos mesquinhos e vis que lhe assaltam o caminho, tem (…) mais merecimento que um homem. Quando se apresentar uma candidatura feminina na Academia, acolhê-la-á com grande prazer”.
Marrecas Ferreira, da secção de matemática: “A mulher que se nobilita no campo da ciência, das letras ou da arte, encontra em mim um grande admirador. Não é somente nos seus trabalhos que eu embeveço o meu espírito; é, antes de tudo e sobretudo, no meio agreste que lhe foi preciso transpor para reagir contra uma atmosfera de hostilidade (…). A França, debatendo a candidatura de Madame Curie, demonstra a evidência que está bem longe de ser socialmente uma República”.
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